Grey’s Anatomy 15 x 19 – Silêncio Todos Esses Anos

por psicólogo Otavio Fernandes Macedo, CRP 06/141924


Olá, caros leitores, como estão?


Volto com o maior prazer, mais uma vez, para conversarmos sobre essa série FENOMENAL, mais conhecida como Grey’s Anatomy.


Dessa vez, trouxe um episódio que estreou no mês de março deste ano, 2019, da décima quinta temporada, conhecido como “Silêncio todos esses anos”, no qual vamos assistir o encontro da personagem Josephine (Jo) Karev com a sua mãe biológica


Para quem não conhece ou para relembrar aqueles que, como eu, são fãs da série, Jo Karev é uma médica do Grey & Sloan Hospital e que já passou poucas e boas na série, como morar dentro de um carro, ser casada com um rapaz totalmente abusador e não conhecer sua família biológica.


A série já mostrou alguns resgates da experiência passada dessa personagem, mas o episódio em questão, mostra a busca de Jo pela sua mãe, uma vez que, ao atender um rapaz homossexual, casado e pai de uma menina, que possuía uma doença genética e que se preocupou em saber se sua filha possuía a mesma doença, ela também se preocupou em saber sua origem.


A partir disso, conta com a ajuda de um médico residente para achar sua mãe e, como esperado, encontra-a. É a partir desse ponto que vamos começar a discutir o que o episódio pode trazer de reflexão para nós hoje.


Ela então conhece sua mãe, mas a experiência não é como planejava. Sua história não era agradável. E, após esse encontro, a médica passa a sofrer emocionalmente por ter conhecido a história de sua concepção e de que modo ocorreu. Ao conhecer o início de sua história, a compreensão que tinha de si mesma acaba sendo abalada. Vamos conversar melhor sobre isso?


Nossa identidade pessoal é formada por algumas características, as quais muitas vezes nem notamos ou nos preocupamos, mas que são importantíssimas para nossa compreensão de mundo e posicionamento frente as situações dadas pela vida.


Tais características são: Idade, Maturação, Cultura, Momento Histórico, Grupos Sociais e Percepções Individuais.


A idade serve, num campo científico, para compreender em quais estágios ocorrem o desenvolvimento humano. É dividido em primeira infância, educação infantil, ensino fundamental, adolescência, maturidade e a velhice.


A maturação é o processo de desenvolvimento biológico, maturação do sistema nervoso. Em toda a nossa vida, estamos nos transformando biologicamente, e a essa transformação, damos o nome de maturação.


A Cultura é um dos fatores, já no campo ideológico, que influencia em como vamos nos portar diante da vida. Há famílias, por exemplo, que a família possui socialização restrita, outras já são mais abertas a novas amizades. As crianças que crescerem nessas culturas familiares, terão visões de socialização diferentes.


O momento histórico também é importante porque atribuímos significados diferentes as experiências que vivemos de acordo com o tempo cronológico e entendimento de vida que temos. Um exemplo disso é o que um adolescente pensa do computador e o que um idoso entende de informática.


Os grupos sociais estão presentes na nossa vida desde que nascemos. Entende-se como princípio da Psicologia que uma pessoa só se desenvolve, cresce, e amadurece emocionalmente, socialmente se houver outras pessoas com as quais se relacionar. Eu aprendo com eles assim como eles aprendem comigo. A família é o primeiro e principal, mas não único, grupo social que pertencemos ao longo de nossa vida. Outros como escola, trabalho, círculo de amizades também compõe os grupos sociais.


E, por fim, há as percepções individuais porque uma pessoa é diferente da outra, cada uma tem uma percepção diferente de uma mesma experiência. O ponto de vista de um nunca é o mesmo que o do outro, ainda que possa ser muito semelhante. Costumo brincar que a física explica que dois corpos não ocupam o mesmo espaço, assim como uma pessoa sempre vai entender uma situação diferente da outra.


Então, voltando a Jo Karev e entendendo que a identidade dela foi formada assim como explicado acima, como vocês acham que ficaria uma pessoa que passou toda sua vida sem conhecer sua família biológica, inserida em ambientes com poucas oportunidades, precisando aprender com maiores dificuldades a se portar diante da vida deparando-se com a versão original e pior que imaginava?


É possível compreender que não foi fácil para a mesma deparar-se com uma realidade totalmente diferente daquela construída, ainda que no campo imaginário, durante toda sua vida. Sua compreensão de si mesma nunca mais será a mesma e ela terá, nos episódios que se seguirão, que ressignificar sua história, sua visão de si mesma, seu próprio eu.


Como vocês ficariam?


Nos próximos textos, vou explorar cada um dos itens da construção de identidade a partir de episódios de Grey’s Antomy. O que acham?


Abraços!


Otavio Fernandes Macedo é Psicólogo, CRP 06/141924. Trabalha com atendimentos de crianças, adolescentes e adultos em Mogi das Cruzes/SP. Acompanhe seu trabalho em:

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