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Desvendando as Mentes Brilhantes: Uma reflexão psicológica sobre Série "Bright Minds"

por Patrícia Atanes de Jesus Bernardinelli CRP 06/37052


Em meio ao vasto cenário das produções televisivas, "Bright Minds" emerge como uma joia rara, proporcionando aos espectadores uma visão intricada e multifacetada das complexidades da mente humana. Esta série cativante não apenas entretém, mas também oferece uma janela fascinante para o reino da psicologia. Neste artigo, mergulharemos nas profundezas de "Bright Minds" para desvendar os intricados fios psicológicos que permeiam a narrativa, explorando temas como desenvolvimento pessoal, saúde mental, relacionamentos e resiliência emocional.


Bright Minds, uma coprodução franco-belga cujos primeiros 25 episódios me surpreenderam agradavelmente graças à inusitada dupla de protagonistas e sua capacidade de resolver até mesmo os casos policiais mais complexos. A série acompanha Astrid Nielsen e Raphaëlle Coste, duas mulheres que são diferentes e semelhantes o suficiente para torná-las uma dupla que seria considerada um trunfo em qualquer investigação. Provavelmente não funcionaria assim na vida real, mas faz todo o sentido neste reino da ficção.


Na verdade, esse procedimento episódico se mostra bastante viciante, provocando um desejo insaciável de saber mais sobre tudo o que retrata – sobre o caso criminal, o trabalho policial e até mesmo a vida pessoal dessas duas protagonistas, que raramente são vistos juntos na tela.


Os parceiros perfeitos para a resolução de crimes

Muito do charme de Astrid e Raphaëlle está nas mentes muito brilhantes das próprias personagens. Raphaëlle é uma comandante de polícia desorganizada e obstinada, que confia no instinto. Astrid, por sua vez, está dentro do espectro (TEA) e trabalha no arquivo de registros criminais, onde se lembra de detalhes intrincados de casos e adora manter tudo bem ordenado.

As duas trabalham juntas, formando uma equipe que parecia um tanto surpreendente nos primeiros episódios, dados seus traços contrastantes, mas agora ninguém poderia contestar o fato de que elas se complementam com perfeição.

Sim, é uma outra produção que usa a junção de investigadores com personalidades muito diferentes. Mas vale lembrar que, neste caso, foi aplicado a duas mulheres. E melhor ainda, a duas mulheres que, quando se conhecem, gozam de um respeito profissional por cada uma e se interessam mutuamente pelo trabalho uma da outra.

Só por isso, merece uma chance.


Os casos em si não são importantes, mas são interessantes

Embora esta seja uma série processual, após alguns episódios já na primeira temporada ficou claro que os casos tendem a ser de importância secundária.

Na última temporada, Astrid e Raphaëlle investigam um grupo de teóricos da conspiração, se infiltram em uma comunidade de nativos americanos, descobrem os segredos de um mosteiro, penetram em hospitais psiquiátricos e até mergulham no passado do pai de um deles.

E, embora tudo isso deva ser suficiente para manter os espectadores atentos e curiosos, a verdade é que o que os mantém intrigados na verdade são as interações da dupla – sua relação uma com a outra, com seu trabalho, com seus colegas e em suas vidas amorosas.


Não é perfeito, mas tem algo a oferecer

Não é a melhor série policial, nem de longe um grande thriller. Mas entretém na medida certa, ao mesmo tempo em que desmistifica mitos como o de que as mulheres não apoiam outras mulheres quando trabalham juntas, que elas não fazem boas defesas umas para as outras como parceiras policiais e que não sabem como ser verdadeiras amigas.


Uma das características mais notáveis de "Bright Minds" é a exploração das jornadas de desenvolvimento pessoal dos personagens. Desde enfrentar traumas do passado até buscar autenticidade e autoaceitação, a série ilustra vividamente os estágios de crescimento emocional pelos quais todos nós passamos. Através dessas jornadas, somos lembrados de que o desenvolvimento pessoal é um processo contínuo, muitas vezes desafiador, mas profundamente enriquecedor.


A série enfrenta destemidamente questões relacionadas à saúde mental, destilando tabus e desmistificando estigmas. Ao abordar temas como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático, "Bright Minds" lança luz sobre as batalhas silenciosas que muitos enfrentam diariamente. Esta representação autêntica serve como um lembrete poderoso da importância de abordar a saúde mental com compreensão, empatia e apoio.


A produção explora uma miríade de relacionamentos interpessoais, desde amizades profundas até romances complexos. A dinâmica desses relacionamentos é apresentada de maneira autêntica, revelando a complexidade das emoções humanas. Ao analisar essas interações, podemos aprender sobre temas como apego, comunicação eficaz e a importância da empatia nas relações humanas.


"Bright Minds" é uma celebração da resiliência humana. Os personagens enfrentam desafios significativos, mas sua capacidade de se adaptar, aprender e crescer é inspiradora. Ao observar a resiliência desses personagens, somos lembrados de nossa própria capacidade de superar adversidades e emergir mais fortes do outro lado.


Sem ser pretensiosa, Bright Minds fornecem uma nova abordagem para os espectadores de várias maneiras, como a visão que traz do Asperger, além de não apenas retratar a síndrome como adicionando um toque de excentricidade e até mesmo ajudando o público a ver neurotípicos através dos olhos da dupla. Isso incentiva os espectadores a parar de acreditar que as pessoas com Asperger são algum tipo de grupo homogêneo e a entender que cada pessoa tem sua própria personalidade.


"Bright Minds" transcende o rótulo de uma simples série de televisão, transformando-se em uma experiência psicológica profundamente impactante. Ao examinar os temas de desenvolvimento pessoal, saúde mental, relacionamentos e resiliência na série, somos convidados a refletir sobre nossas próprias vidas e jornadas psicológicas. Ao fazê-lo, somos enriquecidos com uma compreensão mais profunda da mente humana e, em última análise, de nós mesmos. Que "Bright Minds" continue a iluminar não apenas nossas telas, mas também nossas mentes e corações, desafiando-nos a explorar as complexidades do que significa ser verdadeiramente humano.


Patrícia Atanes de JesusBernardinelli é Psicóloga Junguiana com Especialização em Terapia Sistêmica Familiar e Avaliação Psicológica, além de Psicologia Jurídica e Criminal Profiling – Psicologia Investigativa. Atende Adolescentes, Adultos e Casais em consultório particular em São Bernardo do Campo/SP. Atua em casos da vara da família ou da infância como perita e/ou auxiliar técnica de acordo com a solicitação do fórum ou de uma das partes. Seus interesses estão voltados para relacionamentos, transtornos e síndromes diversas que atingem os adolescentes (incluindo depressão, suicídio).


Sua paixão está no entendimento do funcionamento da Psique e seus simbolismos além da busca dos conceitos e preceitos psicológicos na literatura e cinema.


Além de sua colaboração como escritora no blog psicologiaemseries acompanhe seu trabalho em:

Whatsapp: (11) 99232-0661

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