SuperMães - Empatia e gratidão. A série que toca o coração das mães

por Psicóloga Deise Jardim, CRP 07/13101


A série SuperMães, disponível 3 temporadas na Netflix, traz a história de algumas mães com seus bebês e o desafio que é equilibrar a vida após o nascimento dos filhos. Assim que você assistir o primeiro episódio, já vai perceber que não é apenas mais uma série que mostra a maternidade perfeita, com lindas mães retornando ao mercado de trabalho, felizes por deixar seus bebês com babás incríveis, pais que apoiam e incentivam as mães de seus filhos e os outros filhos do casal adorando ter um irmãozinho mais novo. Essa série não é assim. Com uma pitada de humor e situações inusitadas, Supermães mostra um lado mais real da maternidade, onde existe frustração, solidão, dúvidas, dor, mas muito amor também.


Algo que me chamou muito a atenção foi o quão bem é apresentado na série que os desejos de uma mãe podem entrar em conflito (e está tudo bem!), pois quando uma mulher se torna mãe, ela não deixa de ser mulher, nem profissional, esposa, filha, ou irmã. E dar conta de todos estes papéis pode ser enlouquecedor! Nessa hora eu, que tenho um bebê de três meses no momento em que escrevi este texto, me identifiquei muito, por ter sentido na pele o sofrimento de abandonar o trabalho na clínica temporariamente, deixando aquele pedacinho da minha vida, tão valorizado, de lado, para poder cuidar de um serzinho tão indefeso e que depende de mim quase que exclusivamente.


Diferente de alguns casos abordados na série, eu tenho um marido ao meu lado, que me ajuda nos cuidados do bebê e que gosta de exercer seu papel de pai, mas que quando soube dessa terceira gestação também levou um susto, pois geralmente a terceira não se planeja nem se espera. Um terceiro filho bagunça um pouco a vida de qualquer mulher, de qualquer família. E nem todos estão prontos para isso, como a série retrata tão bem. O importante é tentar dar conta da melhor maneira possível, buscando a rede de apoio que é tão importante e que, muitas vezes, falta. Sem ela, qualquer mãe acaba se sobrecarregando, mesmo com apenas um bebê, imagina com dois ou três filhos! Pode, então, começar a apresentar alguns sintomas de depressão pós-parto. Sem uma rede de apoio consistente fica muito mais vulnerável e isso pode acontecer com mais facilidade.


Ao assistir um dos episódios da série, onde tantas mães apresentavam seus problemas e discutiam soluções, percebi o quanto sou abençoada por ter uma vida a qual consigo “dar conta”. E na série mesmo é mostrado como cada mãe faz as suas escolhas e dá conta sim daquilo que decide para a sua vida, seja uma nova carreira profissional, seja abandonar o trabalho para cuidar do bebê, seja voltar ao trabalho após a licença e deixar o marido cuidando do filho, seja qualquer outra situação vivida nos mais diversos lares com bebês com alguns meses de idade.


Costumam dizer que quando nasce uma mãe, nasce também uma mulher culpada, mas eu não concordo 100% com isso. Percebo muito mais que quando nasce uma mãe, nasce mais empatia, mais amor, mais preocupação com o mundo e com todas as demais crianças, pois você vê seu filhos ali, nos filhos das outras mães. Supermães aborda isso de maneira interessante, quando as mães se reúnem, semanalmente, numa terapia de grupo, onde o foco inicial é a amamentação, mas que a coordenadora do grupo deixa livre para os assuntos que vierem. Ali surgem discussões sobre sexo após a maternidade, cuidados com os mamilos, voltar ou não ao trabalho e quando voltar...Também os pais separados podem participar, trazendo seu olhar masculino para a discussão, algo que interessa bastante as demais mães.


De uma maneira leve e descontraída, mas com um toque forte de realidade, a série traz assuntos como: competição (pela atenção do bebê e também pelo ambiente de trabalho depois que se volta da licença); dificuldade nas relações entre a filha que se tornou mãe e a sua própria mãe, agora avó; dificuldades nos relacionamentos de casal após o nascimento do bebê, necessidade ou não de fazer um aborto quando uma gestação não planejada promete bagunçar com tudo o que já se tem; a volta de relacionamentos do passado e a saudade de se viver algo que não se pode mais, por estar em outra fase da vida e por ter um bebê dependendo de você.


Poder sentar por 30 minutos (pois os episódios são curtos!) e olhar a realidade de outras mães, ajudou a me identificar e também a me diferenciar dessas histórias e a perceber que cada um segue o caminho que escolheu e lida com as surpresas como conseguir lidar. Entender que existem histórias de vida muito mais complexas que a sua, mas que você pode sim deixar as coisas mais leves para curtir melhor o trajeto dessa viagem maluca que é ser mãe, foi o mais interessante! Portanto, eu recomendo!



Deise Jardim – CRP 07/13101 – é psicóloga clínica há mais de 15 anos, trabalha com traumas, fobias e estresse pós-traumático, com adultos e crianças acima de 6 anos. Tem formação em EMDR – Dessensibilização e Reprocessamento por meio de Movimentos Oculares – há 8 anos (INFAPA). Também tem formação em PNL e Coaching pelo Conexão Alpha e é apaixonada pela mente humana e pela capacidade que um cérebro traumatizado tem de se curar com o tratamento certo.

Acompanhe seu trabalho em: https://linktr.ee/deisejardimpsi

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