“Situação de quase morte e os impactos emocionais que ficam, Grey’s Anatomy”

Atualizado: 4 de mar.

Por Amanda Moreira - CRP 06/98852


Situações de violência acontecem todos os dias ao nosso redor, seja com pessoas conhecidas (amigos, familiares, vizinhos) seja em noticiários de TV, ou até mesmo em sua própria vida.

Você já viveu uma situação de violência que lhe trouxe uma sensação de “quase morte”?

Isso é o que acontece com os personagens da série Grey’s Anatomy no final da 6° temporada, onde um atirador entra no hospital Seattle Grace, com o objetivo de “vingar” a morte de sua esposa.

Esse atirador fere diversos funcionários, mata alguns deles (na frente de colegas, inclusive), despista a polícia dentro do hospital e coloca todos em pânico.

A personagem específica que quero abordar aqui é a Cristina Yang, interpretada pela atriz Sandra Oh.

Cristina é médica residente no hospital Seattle Grace e está direcionando sua especialização para cirurgia cardíaca. No episódio do tiroteio ela presencia o então chefe de cirurgia e marido de sua amiga, Derek Shepherd, ser baleado e com chances de sobreviver caso seja realizado o procedimento cirúrgico para retirada da bala.

Mesmo correndo risco de ser vista pelo atirador, ela (com o apoio de outros médicos) o leva para sala de cirurgia, quando durante o procedimento o atirador surge e aponta a arma para ela, impondo que pare e o deixe morrer.

Em uma situação de estresse tão elevado como essa, Cristina viveu um conflito entre deixar o amigo morrer na mesa de cirurgia e na presença da esposa ou perder sua própria vida caso continuasse.

Ela continuou, com uma arma apontada para sua cabeça e palavras de ameaça sendo ditas, encarando de frente o risco de morte.

Ela sobreviveu a essa situação e conseguiu salvar Derek, porém passado o risco físico, Cristina enfrentou sequelas emocionais de tudo o que viveu, que é o chamado transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

O TEPT (transtorno de estresse pós traumático) “é um transtorno com forte componente de ansiedade que se desenvolve após a exposição do indivíduo a um ou mais eventos extremamente ameaçadores, traumáticos e horríveis, como estupro, sequestro, assalto, homicídio, desabamento, incêndio, catástrofes naturais, eventos de guerra, entre outros (DALGALARRONDO, 2019, p.374).

Nem todas as pessoas que passam pela mesma situação sofrerão um quadro de TEPT, pois ele possui causas multifatoriais que incluem a situação vivida, mas também outras questões, como a interpretação pessoal sobre o ocorrido, vivências anteriores a essa, genética, os modos de enfrentamento, entre outros.

Nessa situação da série, todos os participantes sentiram os impactos, cada um a seu modo. Os médicos que presenciaram mais de perto as situações de violência foram afastados de realizar cirurgias por um período e tiveram acompanhamento de um profissional de saúde mental para o suporte necessário, imprescindível para enfrentamento desses “monstros internos” após um trauma.

Entre todos os envolvidos, entendo que a que apresentou maior impacto em diversas áreas de sua vida foi a Cristina, que até mesmo pensou em sair da medicina e desistir de atuar com cirurgia (que é a maior paixão em sua vida).

Nesse processo ela ficou por um período sem ir para o hospital, comprou móveis para a casa, foi passear no shopping (algo que não costumava fazer), tentou trabalhar de garçonete, foi pescar. Ingeriu bebida alcóolica em excesso e precisou ser socorrida por amigos.

Enfim, criou situações que a ajudaram nessa fuga que a faziam lembrar ou encarar a dor do que viveu, até passar por um processo gradativo de retorno e de superação desse momento traumático.

É importante refletirmos que o fato de a pessoa não falar sobre sua dor não significa que não esteja sentindo nada.

A Cristina é uma das personagens que os telespectadores mais apontam como “fria” e “sem emoções”, mas fato é que mesmo sem falar sobre isso o sofrimento estava ali dentro dela. Compreendê-lo e colocá-lo para fora, compartilhar com alguém o que estava sentindo, foi um passo importante em sua recuperação.

Essa questão nos traz a reflexão do quanto as emoções de situações que vivemos podem nos impactar em diversas áreas da vida, e até mesmo nos dar vontade de “jogar tudo para o alto”.

Essa vontade de largar tudo e mudar totalmente o rumo pode ser uma maneira de evitar a dor ou a dificuldade de conseguir lidar com ela, e o processo de terapia te apoiará a lidar com isso e a compreender se a necessidade de mudança é uma fuga ou é a busca por algo maior e pela realização e satisfação.

Você já sentiu vontade de largar tudo, em algum momento?

Caso sinta isso novamente, entenda que você não precisa sofrer isso sozinho, existem pessoas que podem te escutar, acolher e apoiar de alguma forma!



Amanda Moreira, Psicóloga Clínica, realiza atendimento particular online, com base na abordagem da Terapia Cognitivo Comportamental.


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Contato! psicologa.amandamoreira@gmail.com



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