Série: Vikings

por Renata Castro - CRP 154906


Trata-se de uma série dramática iniciada em 2013, escrita por Michael Hirst, filmada na Irlanda. Recheada de personagens com estereótipos fortes, altos, sempre com cabelos enfeitados de forma exótica e suas vestes também na maioria das vezes, caracterizavam os guerreiros que eram, maquiagens e tatuagens demarcavam seus rostos, cabeças e corpos. Descreve um drama de época, com guerras, aventuras, ficção e fantasia histórica.


A série retrata Ragnar Lodbrok, conhecido como um herói nórdico, um fazendeiro idealizador e que se torna líder de um povo que tinha os mesmos sonhos sempre desbravar os mares em busca de conquistar novas terras. Ragnar traçava planos e fazia ataques bem sucedidos o que o fez ser admirado e venerado como um rei.


Desde criança o povo desta terra já começava a treinar para serem guerreiros, tanto os meninos como as meninas e ainda muito pequenos já eram convocados a lutar e defenderem suas terras e sua comunidade. A família de Ragnar era constituída de duas esposas, a primeira Lagertha e a segunda Aslaug, teve com elas vários filhos e tinha um irmão que se chamava Rollo.


Os homens aprendiam a ser fortes e guerreiros desde muito cedo, o que poderíamos considerar natural, porém o que pode chamar a atenção do telespectador é o perfil das mulheres, raramente as cenas mostram uma dona de casa tradicional, ou eram escravas e serviam os seus senhores ou donas ou eram guerreiras. Demonstravam uma coragem anormal, se mostravam preparadas para as inúmeras guerras e demonstravam pouco sentimento. Ao enfrentar as perdas de filhos, maridos ou alguém da família ou amigos, mostravam uma força inigualável de superação.


A resiliência das mulheres deste seriado nos faz refletir e questionar, será que a cultura é a responsável por este comportamento ao qual as fazem ter essa ideologia de lutar por um ideal acima do medo, de não se rebaixar diante dos ataques dos inimigos, de lutar até morrer se for preciso devido à sua fidelidade ao líder. Ou podemos pensar também nessa força como uma defesa adquirida devido ao contexto vivido, sempre com dificuldades, com guerras e à quem se mostrasse frágil já era considerado um perdedor, portanto, para elas só restava a fortaleza.


A sexualidade também é um fenômeno interessante de analisarmos, pois os homens não respeitavam muito o território do outro e se sentissem desejos por determinada mulher, eles faziam tudo para obtê-la, independente se era comprometida ou não. Não se preocupavam com ética, fidelidade ou sentimentos, traiam a esposa que amava por um desejo carnal que naquele momento era maior do que qualquer exame de consciência.


As mulheres por sua vez, também não se importavam com fidelidades, se houvesse o desejo, iam para a cama sem se preocupar com as consequências e mantinham relações hetero ou homossexuais, sem nenhum pudor ou receio de julgamentos. Viviam sua liberdade de escolha e sempre estavam prontas para guerrear se fosse essa a necessidade do momento.


De todas as personagens, menciono Lagertha, a primeira esposa de Ragnar, mulher forte, a guerreira das guerreiras, líder, foi rainha da sua terra, muito respeitada e venerada. É o retrato de uma personalidade livre, dona de si, que não tinha meias palavras, em toda a série ela mantém uma posição rígida, ao qual não aceitava opiniões, pois tinha e mantinha suas próprias decisões. Usou da sua sexualidade com liberdade e segurança, vivendo muitas experiências; se mostrou uma mulher muito apaixonada por seu marido, mas o abandonou devido à traição dele. Sem olhar para trás ou para o amor que sentia, ela foi embora, foi ter sua própria fazenda e lutar para continuar sobrevivendo.


Olhando para esta personagem, reflito o quanto as mulheres da nossa cultura são frágeis e vítimas fáceis nas mãos dos homens, muitas sofrem de violência doméstica, estão abatidas e com baixa autoestima. O fortalecimento seria essencial para obter a dignidade tão sonhada. Penso que poderíamos ser um pouquinho de Lagertha, com amor próprio, donas de si e usar da liberdade que é um direito de todas.


Renata Cristina Barbosa Castro é Psicóloga, trabalha com a abordagem

Fenomenológica Existencial, pós-graduada em “Relações Familiares”, atualmente pós-graduanda em “Psicologia Existencial Humanista e Fenomenológica”, aprimorando em

“Terapia de Casal” e realizou cursos como: Divórcio, Infidelidade Conjugal,

Relacionamento. Seus interesses estão voltados para relacionamentos afetivos

envolvendo toda a sua complexidade, auxiliando na construção de relacionamentos sadios.

Idealizadora da #tonalidadesdoamor


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