Nola Darling: a (re)construção do relacionar-se

por psicóloga Priscila da Silva da Rosa – CRP 07/23894


Definitivamente Nola Darling foi à personagem que ganhou meu coração no ano de 2019. Mulher, negra, artista plástica, cinéfila, feminista e poliamorista, esta personagem de “She’s Gotta Have It” (Ela quer tudo) sem sombra de dúvidas foi quem me fez repensar as relações.


Não sei como foi à construção do amor e das formas de amar e se relacionar para você, mas a criação destes conceitos pra mim veio a partir da idealização do príncipe encantado e da princesa “indefesa”, que precisa ser salva. Nola não é nada disso! Ela não precisa ser salva ou está indefesa.


A força de Nola me fez perceber a potência da mulher, seu olhar único para o renascer da relação me fez e faz querer tocar em “temas proibidos”. Por que digo isso? Falar sobre o amor e suas diferentes formas é um tabu para a nossa sociedade. Não conhecer as diferentes formas com que o amor acontece, nos faz olhar para ele com preconceito. É olhar para o amor do outro e dizer que é sujo, promíscuo. Exatamente! Eu já ouvi isso ao conversar sobre as novas formas de amor. Você já pensou sobre as relações não monogâmicas? Sabe o que é o poliamor?


A nomenclatura poliamor surgiu por volta da década de 1990 e, é um modelo de relacionamento não-monogâmico, consensual, ético e igualitário, onde não há exclusividade afetiva ou sexual. Essa ideia é apresentado de maneira ímpar por Darling, que se relaciona com Jamie Overstreet, um homem mais velho, educado e cheio de surpresas, o clássico “homem romântico”; Greer Childs, um modelo narcisista; e, Mars Blackmon, um jovem latino-americano imaturo que a faz sorrir inúmeras vezes. A princípio, não há nada que os conecte com Nola, mas é nítido percebermos que ela é atraída pelo melhor que cada um pode lhe oferecer, no afeto sincero e recíproco.


A partir dessas relações percebemos a construção das regras estabelecidas para que a relação funcione para todos, assim como em uma relação monogâmica. Porém, na relação presente na série, as regras são específicas para os membros envolvidos nesse contexto.


Por exemplo, essa é uma relação em formato Y. O que isso quer dizer? Significa que, todos sabem da existência dos outros parceiros de Darling, mas nenhum se conhece ou se relaciona entre si. Existe aqui, uma quebra da exclusividade no relacionamento, embora existam características que ajudam casais a melhorar a funcionalidade da relação, tais como: uma estrutura única de ser que estabelece o padrão de funcionamento enquanto relação; há na presença de Nola a preocupação em dar coisas a si mesma, sem depender tanto de um parceiro para ficar de bem consigo e, talvez uma das características que mais me chama atenção, o fortalecimento do diálogo entre os membros e, consequentemente, da relação através das dificuldades, abrindo mão da magia em troca do real.


Ainda há muito a ser dito sobre essa nova forma de amar, que é um tema fascinante e que, talvez te surpreenda. Pesquise, conheça, permita-se conhecer sem máscaras e quem sabe até viver um poliamor de maneira honesta, assim como Nola Darling.


Priscila da Silva da Rosa é psicóloga (CRP 07/23894) ajuda casais e famílias a comunicar suas formas de amor. Saiba mais sobre seu trabalho em https://www.instagram.com/psicologaprisciladarosa/


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Blog escrito por psicólogas e psicólogos de todo Brasil.

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