Merlí: Trazendo filosofia para as pessoas

por Patrícia Atanes - CRP: 06/37052


Merlí é uma série perfeita para quem procura algo inovador, politicamente incorreto e único dentro das séries apresentadas, atualmente, para o público em geral. Quem poderia imaginar que uma série de TV, em época que tudo acontece muito rápido, todos nos movemos em ritmo acelerado e dificilmente nos aprofundamos no entendimento e envolvimento das coisas e com as coisas, tornaria a filosofia popular.


Entre a enorme gama de opções de séries que temos hoje, Merlí se apresenta como uma série que consegue ensinar, motivar, entreter e divertir aos telespectadores que a acompanham. Muitas séries atuais apelam para o lado emocional das pessoas que as assistem, Merlí não é diferente, porém o que é realmente inédito em Merlí é que isso acontece com o personagem principal que é um professor de filosofia.

Pessoas que não estão familiarizadas com a filosofia muitas vezes a consideram extremamente enfadonha ou muito teórica, além de complicada e complexa para se entender. Uma das melhores coisas em se assistir essa série, se baseia exatamente na forma em tratar a FILOSOFIA, na série a filosofia é algo que você vê, aplica e sente. Não é apenas algo para ser lido ou teorizado e sim, para ser vivenciado.

Muitas pessoas consideram a filosofia a mãe de todas as disciplinas modernas que buscam o conhecimento. Ele fala sobre a vida e faz todos os tipos de perguntas que essas outras disciplinas também abordam, mas algumas pouco respondem. Então, que melhor maneira de ensinar filosofia do que a própria vida? Isso é demonstrado na série por meio de seu personagem principal, Merlí.


Um grande destaque nesta série é que cada episódio em suas três temporadas se baseia em uma doutrina filosófica específica. Em cada episódio encontramos as principais ideias ou teorias de um filósofo específico sem perder o sentido de sua trama. Merlí nos dá uma compreensão da filosofia muito mais dinâmica do que normalmente estamos acostumados.


Merlí é uma série tragicómica, mas, com um pouco de ação. O personagem principal, Merlí (interpretado por Francesc Orella), é um professor de filosofia aparentemente cansado de sua vida. Ele geralmente é imaturo, sensível e exibe um irritante senso de masculinidade. Mas ele também é autêntico, sábio e provocador.


Todo o enredo da série apesar de muito focado na vida de Merlí também tem a ver com os alunos do professor, os quais podemos considerar também personagens principais. Conforme a série vai se desenvolvendo, começamos a ver luz e escuridão em muitas das histórias de vida de cada um destes alunos.


Parte do que torna Merlí diferente como professor é que ele mistura sua vida pessoal com a de todos os seus alunos. É um dos inúmeros exemplos de sua incorreção política, da maneira como ele questiona as fronteiras sociais e a sociedade em geral. As relações professor-aluno vão muito além das paredes da sala de aula.


Risos, tremores, lágrimas, frustração ... é isso que esta série provoca em cada um de seus expectadores. É extremamente realista e foge a qualquer senso de previsibilidade com personagens realmente completos.


O principal desafio de uma série que tem um único personagem principal é que eles têm que ser muito bem construídos. A forma como os autores construíram Merlí como personagem é quase perfeita. Eles conseguiram criar um “herói” com características que são o oposto do arquétipo clássico do herói.


Podemos ver que ele é corajoso e ousado, mas também covarde e imaturo. No fundo ele é muito nobre e está emocionalmente em todos os lugares. Graças à sua falta de hipocrisia moral (provavelmente uma das suas características mais marcantes) ele nos prende em cada cena, mas isso não significa necessariamente que sempre concordaremos com ele.


Vida e morte, doença, amor, drogas, amizade ... esses são apenas alguns dos tópicos que surgem nesta série única em seu gênero. Mas por ser quem é, Merlí, durante a trama, trata de cada uma desses tópicos sem ser excessivamente sério ou dramático. Para ele, fazem parte da jornada da vida, e quaisquer que sejam as que você está passando, você tem que tentar administrá-las da melhor maneira possível.


Seu vínculo com cada aluno é especial porque ele tem um lado adolescente óbvio o que, o ajuda a se conectar com a turma e com as pessoas que o assistem na TV. Mas não é tanto por sua linguagem ou seus interesses, é algo sobre sua atitude. É seu hedonismo ocasional e irresponsabilidade que fazem isso.


Em palavras simples, este é o tipo de série que nos atrai sem que percebamos. Esta série também consegue popularizar algumas coisas de que realmente precisamos agora: reflexão, pensamento crítico, aceitação, conhecimento e claro filosofia.


Patrícia Atanes de Jesus Bernardinelli é Psicóloga Junguiana com Especialização em Terapia Sistêmica Familiar e Avaliação Psicológica, além de Psicologia Jurídica.

Atualmente pós graduanda em Criminal Profiling – Psicologia Investigativa.

Atende Crianças, Adolescentes e Casais em consultório particular em São Bernardo do Campo/SP.

Atua em casos da vara da família ou da infância como perita ou auxiliar técnica de acordo com a solicitação do fórum ou de uma das partes.

Seus interesses estão voltados para relacionamentos, transtornos e síndromes diversas que atingem os adolescentes (incluindo depressão, suicídio).

Sua paixão está no entendimento do funcionamento da Psique e seus simbolismos além da busca dos conceitos e preceitos psicológicos na literatura e cinema.


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