Lúcifer no processo terapêutico

Por Andréia Dorneles Severo - CRP: 07/30479


Lúcifer, no seu momento de vida nova e em busca de um novo sentido na psicoterapia com Linda, é que começamos a conhece-lo como um ser, duvidoso, irresponsável de seus atos, focando somente em seus interesses, com uma ideia fixa de participar das investigações juntamente com a detetive Chloe Decker, pensando em apenas desvendar seus próprios mistérios e continuar punindo almas pecadoras.


Porém, a partir do contato com Chloe, Lúcifer passa a se humanizar e a ter sensações que nunca havia percebido antes. A relação de Lúcifer e Chloe, o faz sentir-se mais próximo das características humanas, ele vira mortal, vulnerável e cheio de dúvidas. Características básicas e comuns, mas que podem parecer assustadoras para ele.


Além de Lúcifer, podemos perceber nos personagens Mazikeen e Amenadiel, ambos também não-humanos, o quanto entrar em contato com os próprios sentimentos e emoções pode ser um caminho tortuoso, dolorido, porém de grande desenvolvimento e descoberta quando se está disposto a enfrentar seus medos.


O primeiro episódio é marcado pelo contato com a Drª Linda Martin, psicoterapeuta, onde Linda se relaciona com Lúcifer, o que não corresponde ao código de conduta profissional.


A reflexão aqui é sobre como a psicoterapia ajuda Lúcifer com suas dificuldades e necessidades. Como vemos em alguns episódios, o processo terapêutico parece ser difícil, pois encarar suas verdades traz desconfortos.


Mesmo que ele tente muitas vezes fugir dessas verdades, elas retornam, movimentam sua vida e implicam em seu comportamento.


Conforme a série vai se desenrolando, Lúcifer consegue criar um vínculo com Linda, tornando o processo terapêutico mais tranquilo de se trabalhar. Ambos conseguem diminuir suas ansiedades, fazendo com que a dinâmica da Terapia seja compreendida pelo cliente e terapeuta.


Sendo assim, conseguiremos observar a confiança que Lúcifer estabelece com Linda, pois o vínculo terapêutico foi criado. Conforme os episódios vão se revelando, Lúcifer consegue revelar para Linda sua verdadeira identidade, mostrando à mesma, quem ele realmente é.


Penso que o trabalho da terapia nada mais é que a tradução das emoções humanas para Lúcifer. Percebe-se que a terapeuta começa ajudá-lo a nomear e a entender as reações que a princípio pareciam inexplicáveis. Conviver com os aspectos que fazem parte da humanidade fazem com que Lúcifer tenha que aprender a olhar para o próprio ciúme, culpa, impotência, ódio, amor, assim como se responsabilizar por suas próprias ações.


Ao transcorrer da história, avanços são observados, o que não o isenta de cometer erros, em momentos, negar a realidade, e suas responsabilidades; mas, após tempos de terapia, ele consegue ampliar suas reflexões e percepções, criando recursos para lidar com suas angústias.


Andréia Dorneles Severo, Psicóloga formada pela PUCRS, Experiência em atendimentos a crianças, adolescentes e adultos, grupos terapêuticos, formação pessoal.

Cursos em Especialidades Médicas pelo HCPA, Competências Profissionais, Emocionais e Tecnológicas para Tempos de Mudanças pela PUCRS.

Blog escrito por psicólogas e psicólogos de todo Brasil.

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