Dude, o cãopanheiro

por psicóloga Lucineide Maria Rocha, CRP 06/128343


Você já imaginou como seria uma comédia retratada com alguns dos sintomas da ansiedade? Por exemplo, aquele momento que você tem a sensação de que o chão deveria se abrir para você entrar dentro com tanto medo e angústia que você fica diante daquela situação ansiógena! Já pensou como seria um episódio de terror para quem tem ansiedade social e precisa entrar em contato com um monte de pessoas desconhecidas?


Curioso, não é? Mas a série Dude, o cãopanheiro, é uma comédia, com relato de sintomas ansiógenos de um menino de 11 anos, Noah que tem um transtorno de ansiedade bem comum entre os jovens e adultos: o transtorno de ansiedade social. A principal característica do transtorno é o medo de ser julgado, avaliado negativamente ou rejeitado em uma situação social.


A série relata a história de um casal com dois filhos; um menino de 11 anos e uma menina de 8. Até então Noah estudava em casa com o pai, mas resolveram fazer a transição para escola tradicional. O que parecia ser fácil, não foi. Nos primeiros dias Noah não conseguiu nem chegar na sala de aula, era tão sofrido para ele entrar em contato com esse ambiente novo, rodeados de pessoas “estranhas”. Por dias ele voltava da porta da escola ou da sala. Tinha um sofrimento antecipatório, com medo do julgamento alheio carregado de sintomas físicos e psíquicos. Mas aos poucos foi vencendo o medo com apoio de um cão de suporte emocional, o Dude, sugerido pela terapeuta.


O que torna a série mais comediante e interessante para o público, além da relação de Noah com os sintomas da ansiedade, é a participação do cão, que traz a comédia para o enredo, como se ele se comunicasse com o personagem. Os sintomas da ansiedade (coração acelerado, medo da aprovação dos outros, vontade de sumir) são apresentados em tom de humor. Enquanto Noah tenta lidar com as situações estressantes carregadas de sintomas, surgem comediantes na trama como zumbis quando as pessoas se aproximam dele, imaginação de situações irreais como monstros ao seu redor. Em situações mais estressantes com o desejo de sumir, um buraco se abre no chão como se ele pudesse entrar dentro, enquanto isso o cão parece entender seu sofrimento e sempre pronto para ajudar nessas situações o que dava mais confiança para ele sair da situação ansiógena. Acredito que quem sofre esse tipo de transtorno irá se identificar com as cenas apresentadas na série. No desenrolar da trama Noah faz amizade com Amara, uma cadeirante que é motivo de inspiração para ele.


O que essa série nos deixa de lição é a importância que um animal de estimação poderá servir de apoio emocional, mostra também que ele faz acompanhamento com uso de medicação e psicoterapia, além do apoio da família e dos amigos, os esforços que o Noah faz para não desistir das situações.


Quer saber mais? Recomendo assistir a trama, ela é uma maravilha.


Lucineide Maria Rocha é psicóloga Comportamental, CRP 06/128343. Atendimento de psicoterapia para adolescentes e adultos presencialmente em Campinas-SP e On-line para qualquer lugar do mundo. Uma das Idealizadoras do Projeto Social com Plantão Psicológico Escuta na Lagoa. Coautora do livro – Conversando sobre a Ansiedade.Sua maior paixão é ajudar pessoas a viver em equilíbrio com a ansiedade. Conheça seu trabalho em:

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