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Uma visão de The Mandalorian na Psicologia

  • 6 de out. de 2024
  • 2 min de leitura

Por Andréia Dorneles Severo - CRP 07/30479

A primeira mudança que vemos claramente entre The Mandalorian e todos os outros filmes de Star Wars é na própria ideia do que está em jogo: enquanto em todos os filmes da saga

(incluindo solo) os heróis lutam pelo destino de planetas inteiros ou do universo de forma geral, nada é assim tão grandioso na série. O Mandaloriano (ou Mando, para os mais íntimos) do título é apenas mais um trabalhador assalariado da galáxia que não tem tem interesse nenhum nas políticas que a regem, e quer somente fazer o seu serviço, receber por ele e já pegar o próximo sem dedicar qualquer tempo para descanso entre ambos, algo com o qual qualquer trabalhador freelancer pode se identificar. Mando deverá proteger aquela criaturinha fofinha das garras dos sobreviventes do Império, que por algum motivo estão atrás dela. O bebê (também chamado pela série de A Criança) não apenas é um usuário da Força, como seu controle sobre ela é relativamente forte para a idade.


A Criança mal consegue andar sozinha, mas é poderosa o suficiente para parar o ataque e

levantar do chão um Mudhorn, uma criatura que se parece com um rinoceronte peludo e que deve pesar pelo menos umas duas toneladas. Mas, apesar de todo esse poder, o Bebê Yoda ainda é uma criança, e não consegue se virar sozinho.


Usar a Força o esgota de uma forma que ele sempre precisa tirar uma longa soneca depois.

Assim, a missão de Mando se torna clara: ele precisa garantir a proteção da Criança, que

continuará sendo caçada pelas tropas imperiais enquanto estiver viva.


E o próprio protagonista parece ter saído diretamente desses filmes, já que Mando é a versão Star Wars do Homem Sem Nome eternizado por Clint Eastwood na trilogia de Leone. Assim como o personagem de Eastwood, Mando é um homem cuja presença é totalmente física. O personagem pouco fala ao longo de todos os oito episódios da série, e conhecemos muito mais sobre ele através de suas ações — aquilo que ele faz ou que, propositalmente, deixa de fazer — e do que os outros personagens dizem sobre ele, o que é algo bem diferente do que esperamos do “herói moderno” do cinema e remete diretamente a um momento no qual o que esperávamos das figuras masculinas é que elas fossem bonitas e caladas, e essa recusa em falar sobre si mesmo (ou sobre praticamente qualquer coisa) criava uma aura de mistério sobre suas personalidades que os tornavam ainda mais másculos e atraentes.


É possível notar toda a dor e conflito existente na mente do personagem, que sabe que, de

certa forma, está quebrando seu juramento mas que, ao mesmo tempo, este é o único jeito de conseguir sobreviver para continuar mantendo outro juramento: o de proteger a Criança.



Andréia Dorneles Severo, Psicóloga formada pela PUCRS, Experiência em atendimentos a crianças, adolescentes e adultos, grupos terapêuticos, formação pessoal.


Curso em Especialidades Médicas, pelo HCPA;

Formação em Terapia Cognitiva Comportamental, pelo Cognitivo;

Competências Profissionais, Emocionais e Tecnológicas para Tempos de Mudanças pela PUCRS.

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Blog escrito por psicólogas e psicólogos de todo Brasil.

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