Grey’s Anatomy T11xE05: Exercício para quem quer Ser Terapeuta de Casal

por psicóloga Tatiana Perez, CRP 07/26032


Nesta edição meu texto é destinado a psicólogas/os que tem interesse em atender casais, mas sentem-se inseguras/os.


Como terapeuta de casal, para mim é quase inevitável observar os dilemas dos casais nas séries que assisto. Posso quase afirmar que você, psi, também se pega fazendo isso ao assistir séries e filmes, não é? E, sabe, preciso dizer: Grey’s Anatomy é um prato cheio para isso. Tantos casais (e personagens) com tantos problemas mal resolvidos!


Tem um episódio, porém, que me pegou de surpresa! Fiquei positivamente surpresa.


O 5º episódio da 11ª temporada mostra o casal Arizona e Callie (depois de muito sofrimento, vamos combinar) finalmente resolvendo seus problemas em Terapia de Casal. O episódio me surpreendeu positivamente não pela decisão delas em buscarem ajuda (afinal este ponto para nós é quase óbvio, não é?). O que me surpreendeu, de fato, neste episódio foi a forma como a Terapia foi retratada.


É comum vermos em filmes e séries a Terapia de Casal ser retratada de forma estereotipada ou como algo ineficiente. Não neste episódio. Neste episódio conseguimos identificar aspectos importantes do processo da Terapia de Casal que de fato acontecem na vida real e que ajudam os clientes a resolverem seus conflitos.


Abaixo listo estes aspectos e te convido, colega psi, a assistir o episódio e exercitar suas habilidades como terapeuta de casal identificando as cenas em que acontecem:


  1. As primeiras sessões são sempre mais intensas.

  2. O papel da/o terapeuta é ajudar o casal a se ouvir (tanto sobre coisas ruins como coisas boas).

  3. A/o terapeuta deve psicoeducar o casal acerca de formas de comunicação mais eficazes e centradas nos sentimentos individuais de quem fala.

  4. Quando o casal consegue entender a importância da mudança na comunicação, é comum que eles mudem sua forma de se comunicar no cotidiano, para além da sessão de terapia.

  5. É importante que o casal possa discutir sobre sua história como casal e avaliar o caminho que os levou até o momento presente.

  6. Quando um membro do casal abre mão de algo pelo outro, fica um registro negativo e uma sensação de “dívida”, como se o outro devesse algo ao primeiro. Nestes casos é importante que os cônjuges entendam que fizeram escolhas pessoais e que o outro não deve carregar o peso destas expectativas. As “concessões” devem ser feitas pelo bem do casal e não pelo bem exclusivo do outro.

  7. Em momentos de intenso conflito do casal, um afastamento temporário pode ser mais saudável que a constante pressão por resolver o conflito e continuar junto.

  8. O objetivo da Terapia de Casal é que ambos fiquem bem, independente se decidam continuar juntos ou separar-se.

  9. As estratégias para resolver os conflitos podem ser sugeridas pela/o terapeuta, porém as mesmas devem fazer sentido para o casal para que de fato consigam executá-la. E, neste caso, o casal decide determinados detalhes de como fará.

  10. É comum que um dos cônjuges se mostre mais resistente ou até insatisfeito com a/o terapeuta. Por isso é sempre importante ter segurança e consciência de tudo que fazemos em sessão como profissionais.

  11. Casais com filhos precisam aprender a diferenciar o conflito conjugal da relação parental. A responsabilidade com os filhos não muda frente à situação do casal.

  12. Os problemas conjugais podem interferir outras áreas da vida (como a profissional, por exemplo).

  13. Cada cônjuge precisa ter sua rede de apoio individual, ter pessoas com quem contar em momentos difíceis para além um do outro.

  14. É importante preservar a individualidade apesar do casal.

  15. Sempre terão questões individuais (crenças, histórico de vida, emoções) de cada cônjuge que interferem diretamente no problema do casal.

  16. Os clientes criam expectativas individuais sobre o resultado da terapia.

  17. É importante que o casal entenda que cada um é um indivíduo inteiro em união e não duas metades de um único ser.

  18. Autoconhecimento faz parte do processo, mesmo que as pessoas não façam terapias individuais concomitante.

  19. Nem sempre o amor é suficiente para manter o relacionamento.

  20. É comum que a decisão pela separação acabe acontecendo por aquele que, inicialmente, queria manter a relação.

E então? Aceita o desafio?


Separa o lencinho e seleciona lá na Netflix: Grey’s Anatomy, temporada 11, episódio 5.


Depois compartilha comigo no whats 51992792559 como foi realizar este exercício! E para mais trocas, conheça o projeto Ser Terapeuta de Casal em www.serterapeutadecasal.com.br


Tatiana Spalding Perez é psicóloga, CRP 07/26032 com Especialização em Terapia Sistêmico-Cognitivo de Famílias e Casais. Idealizadora do projeto SER TERAPEUTA DE CASAL, leva conhecimento teórico e prático a psicólogas que tem interesse em atender casais.

Acompanhe seu trabalho em:

www.serterapeutadecasal.com.br

www.instagram.com/serterapeutadecasal/

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Blog escrito por psicólogas e psicólogos de todo Brasil.

O conteúdo apresentado nos textos, assim como opiniões e interpretações sobre as séries, são exclusivas de seus autores. Não representam o entendimento de todos os profissionais.

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