As Telefonistas: uma série sobre feminismo e sororidade nos anos 20

por Larissa César, CRP 03/9058


A história se passa na cidade de Madri entre os anos de 1920 e 1930 no momento em que há uma expansão das telecomunicações. Tem como foco a narrativa da história de quatro mulheres diferentes entre si e que estão em busca de uma nova vida. É protagonizada por Ángeles, Carlota, Lídia e Marga, que se conhecem na seleção na Empresa de Telecomunicações para a vaga de telefonista. Elas possuem personalidades distintas e a série retrata cada uma delas com particularidade única:

  • Lídia é a personagem quem narra a série. Ela tem uma vida completamente fora dos padrões e ao longo da trama enfrenta dilemas que envolvem relacionamentos amorosos e ascensão na carreira profissional. Uma vez que ela descobre o poder da união entre as mulheres, tenta ajuda-las a sobreviver em mundo de opressão.

  • Carlota é a filha de militar que quer ser livre e ter a sua própria renda. Durante o desenrolar da série ela se descobre bissexual e sofre ainda mais com a repressão dos pais. É a protagonista responsável pela introdução na série aos movimentos feministas da década de 20. Carlota não aceita as imposições da família.

  • Angeles é casada, mas demora a perceber que está em um relacionamento abusivo no qual, além de sofrer agressões físicas é traída e humilhada. Angeles vive em conflito com o marido, que não apoia sua decisão de permanecer no emprego, mesmo que esteja se destacando na posição. Só depois de tomar consciência da sua situação ela tenta buscar alternativas para sair do casamento.

  • Marga nasceu no interior da Espanha e chega a Madri em busca do primeiro emprego. Ela percorre um longo caminho até se entender e aceitar que a única perspectiva de sua vida não seja o casamento, descobrindo novas habilidades e crescendo profissionalmente.

Em torno das quatro histórias das protagonistas, a empresa se torna um grande marco, porque ela representa os primeiros passos das mulheres em busca de sua liberdade. A sociedade daquela época era fortemente machista, onde as leis eram criadas por homens e para os homens, o voto feminino ainda não era regulamentado, muito menos consideravam a figura feminina como alguém a ter vez e voz. E em meio ao machismo e as dificuldades diárias de ser mulher em 1928, essas mulheres se unem pela sua liberdade e independência. Na série o feminismo é mostrado com sutileza, usando uma abordagem singela e particular para tratar de sororidade feminina e empatia, já que nessa época o movimento feminista era completamente nulo, a produção usa das histórias de suas personagens para dar destaque ao movimento. É um show de empoderamento feminino, e ver essas mulheres juntas é um belo exemplo da força que a união provoca. Apesar de ser uma série que se passa nos anos 20, ela traz também, ensinamentos sobre outros temas, como: homossexualidade, aborto, sufragismo, bissexualidade, poliamor, relacionamento abusivo, levantando questionamentos pertinentes e coerentes com o momento atual.


As telefonistas, do mesmo modo que suas personagens, não revela instantaneamente a carga de seu conteúdo. Aqueles que leem sua sinopse podem ser levados a imaginar que será apenas uma série sobre romances durante a década de 20, podem ser levados a imaginar que os questionamentos sociais serão rasos, apenas enfeites para um romance. Contudo, a série supera as impressões que se podem ter antes de iniciá-la. Os romances existem, mas não passam sem uma discussão sobre poder. Eles, sim, são os enfeites para o questionamento maior: a posição das mulheres naquela sociedade e na sociedade contemporânea, trazendo protagonistas mulheres que não se limitam a discutir suas vidas românticas, mas a questionar a política e a sociedade de seu tempo. Assim, é uma série, que apresenta personagens dotados de camadas e que une política, direito, críticas sociais, romance, comédia e drama através de um enredo rico e cativante.


por Larissa César, CRP 03/9058

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Blog escrito por psicólogas e psicólogos de todo Brasil.

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