Feel Good

Atualizado: Ago 28

por psicóloga Ângela Guimarães, CRP 01/17732


Mae, lésbica, adicta, complexa e cheia de questionamentos é uma das personagens principais do seriado Feel Good. Série curta (6 episódios), rápida e muito gostosa de assistir, conta a história de um casal de mulheres que após se conheceram em um estabelecimento de stand-up comedy resolvem morar juntas.


Como todo relacionamento a convivência constante e a intimidade trazem como características a manifestação de conflitos e claramente podemos identificar que uma das grandes angústias que rondam as personagens é a sexualidade. Para Mae sempre ficou claro uma orientação homoafetiva enquanto para sua parceira, George, se envolver emocionalmente e sexualmente com uma mulher é algo novo.


Quando olhamos mais de perto a relação homoafetiva entendemos que assumir para os seus amigos, colegas de trabalho e familiares o seu desejo de estar com alguém do mesmo sexo pode se tornar uma grande questão, pois gera fantasias reais e/ou irreais relacionadas a rejeição, abandono, julgamentos e preconceitos por parte daqueles que amamos. Sendo assim, mostrar ao mundo com quem você está se relacionando ganha importância para a consolidação da segurança na relação, para o sentimento de pertencimento a algo e torna-se um elo forte entre o casal para enfrentar as adversidades do meio.


Por sua vez, não assumir esta relação, em algum momento pode tornar-se uma situação ansiogênica que foi o que aconteceu com Mae. Em diversas cenas do seriado o telespectador observa a personagem agitada, insegura e com medo de ser rejeitada por George o que reflete na sua libido e traz questionamentos quanto ao gênero que ela se identifica (afinal, sou homem, sou mulher ou não nenhum e nem outro?).


Com o passar da série, também entendemos que as inseguranças e dependências emocionais que Mae tem para com George são reflexos da sua relação com a figura materna. Devido o seu envolvimento com a cocaína, sua mãe e seu pai resolvem expulsá-la de casa o que fez Mae criar fantasias relativas a um abandono e a uma falta deste amor maternal.


Para tentar tampar esta falta (comum a todos os seres humanos em graus e formas diferentes) a personagem desloca suas fantasias para seu relacionamento amoroso e começa a entrar em crises quando percebe que George não dará conta de preencher por completo a sua falta e, assim, o relacionamento desanda.


Será que as duas ficarão juntas até o final da série? E como Mae e George podem resolver suas questões individuais e fortalecerem o vínculo amoroso?


Quer mais? Assista nossa live sobre a série em https://www.instagram.com/tv/CEFs5EWp2kE/?utm_source=ig_web_copy_link


Ângela S. R. Guimarães reside em Brasília, é psicóloga clínica, neuropsicóloga e especialista em avaliação psicológica, CRP 01/17732. Atende adultos em seu consultório particular e na sua trajetória profissional tem interesse por relacionamentos, psicanálise e formação de psicólogos. Para entrar em contato e acompanhar seu trabalho, acesse: Site: https://www.angelaneuropsi.com/ Instagram:https://www.instagram.com/psi.angelaguimaraes/ e https://www.instagram.com/xanaladaca E-mail: psi.angelaguimaraes@gmail.com

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