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Kelly Olsen, a guardiã das minorias em SUPERGIL. E quando você é a única nadando contra uma corrente?

Por Jaqueline Aparecida Morais – CRP 04/71105


Kelly Olsen é uma das personagens secundárias da série já finalizada, Supergirl. Em sua jornada enquanto amiga dos super-friends, a personagem sempre levantou questões de extrema importância diante a série. Assim, no texto falarei sobre a importância de olhar para as minorias que não são vistas pela sociedade.


Sendo uma mulher preta e lésbica, em um lugar onde é tão atravessada por negligências há muito tempo o ponto aqui se torna a análise existencial nesse percurso de escrever algo que alcance a importância de pautas que não são tratadas no audiovisual, como Kelly sempre esteve nadando contra a corrente?


Em um dos poucos episódios que tivemos a mulher como foco, Kelly levanta a questão para seus amigos super-heróis que sempre focam em um vilão existente e esquece das pessoas que são tão afetadas por toda maldade recorrente. Nesse episódio específico, vilã pode ser interpretada como a própria prefeita da cidade, onde ela deixa claro que com ela estava tudo bem e isso já era o suficiente. Mas e os outros, onde Kelly se encaixa nisso?


Kelly nada contra essa corrente porque ela faz parte do grupo que está do outro lado. Mesmo rodeada de pessoas em seus próprios lugares de existência, Kelly se questiona sobre qual a importância disso tudo se no caminho para enfrentar um “vilão” as pessoas que já são desfavorecidas pelo meio vão morrer sem que ninguém dê importância?


Assim, se importando tanto com os outros além de sua profissão enquanto profissional de psicologia, Kelly volta para si mesma no processo de se entender como parte de um todo. De se entender e se descobrir como mulher preta, ela entra na luta como protagonista quando se dá conta que isso faz de suas próprias experiências e vivencias como as ondas que a cercam nesse momento de resistência.


É importante, refletirmos sobre quem somos e como somos colocados no mundo, o que nos perpassa e como somos atravessados por essas questões todos os dias sem forma de apagar, afinal, convivemos em sociedade.


Kelly tenta chamar a atenção para um problema tão estrutural que chega a se cansar de tentar sozinha, ela chora, se permite sentir tudo isso, vendo todo um sistema capitalista desfavorecer a existências de pessoas pretas enquanto favorecem pessoas brancas, Kelly tenta fazer a diferença, por todos, pelos cansados, por todas as pessoas que são mortas todos os dias, pela sua identidade, pela falta de diálogos sociais que precisam sim olhar para isso de maneira que essas pessoas sejam vistas, ouvidas e principalmente acolhidas.


Kelly diz: Quero ser uma defensora dos que perderam a esperança, dos que foram abandonados pelos que deveriam protegê-los, dos que não têm heróis que se parecem com eles. Vou proteger aqueles que estão exaustos, para que não tenham que lutar por si mesmos todos os dias […] as pessoas precisam de esperança e há um grupo inteiro sem isso, sem esperança nos hospitais, sem esperança na polícia e sem esperança em super-heróis.


Assim, ela se torna uma heroína tão importante quanto qualquer outro que aparece na série, mas o que destaca a importância desse acontecimento é como ela se importa, se preocupa e luta todos os dias para dar voz á essas pessoas, para dar a esperança de que mesmo com todo vazio que se faz presente, ainda existe alguém que esteja lutando por elas.


Para concluir, nesse texto, penso de alguma forma, provocar aos leitores suas próprias reflexões de como tomamos existência no mundo que nos cerca e o quanto estamos dispostos a fazer por entender pautas que são tão importantes quanto nossa própria individualidade em nosso âmago. Kelly, fez diferença sendo uma pessoa nadando contra toda uma corrente, se juntássemos todos na perspectiva de cada um levar uma madeira para construir uma jangada que fosse, quão diferente poderíamos fazer?


Oi! Meu nome é Jaqueline e sou psicóloga! Sou uma amante de cultura pop e atualmente atendo pela abordagem existencial. Penso em uma psicologia humanizada, que acolhe e busca o sentido das coisas para o paciente através da escuta qualificada e do processo terapêutico, percebendo suas angústias de sua própria existência e desenvolvendo um cuidado com você mesmo ao entender suas demandas ao olhar para sua própria história.


Contatos: INSTA: @jaquelinemorais.psi WPP: (35) 99943-6190

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