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Gatunas

4 de nov. de 2019
2 min de leitura

por psicóloga Ângela S. R. Guimarães, CRP 01/17732


Elodie é uma adolescente que acabou de vivenciar a perda da mãe e precisa morar com o seu pai em outra cidade. Chega à escola no seu primeiro dia de aula e já é chamada para ir a uma festa, o que a faz acreditar ser acolhida por essa tribo. Contudo, se depara nesse ambiente com algumas pessoas que a ignoram e percebe que foi convidada apenas por educação.


Saindo desse ambiente ela vai até um mercado, sente uma euforia e resolve roubar alguns objetos. Para o seu azar, ela é pega e encaminhada para reuniões dos furtadores anônimos. A partir desse momento Elodie começa a construir uma amizade com duas adolescentes (Moe e Tabitha) que tem como base o segredo das três, a cleptomania.


De acordo com Henri Ey (1969, citado em Ribeiro, 2016) podemos entender a cleptomania como roubo impulsivo de objetos que tem como objetivo a proteção psíquica contra perigos imaginários que envolvem culpabilidade, agressividade e castração.


Durante a trama fica muito claro que Elodie iniciou esse tipo de comportamento depois que sua mãe faleceu em um acidente de carro, no qual ela esteve presente. Com aquela morte, a adolescente sente-se culpada como se fosse a ocasionadora do evento e relata que a vida lhe roubou algo.


Para tanto, ao se perceber em um contexto que lhe falta afeto (e quando utilizo esse termo, quero deixar bem claro que não é a mesma coisa que carinho e atenção), ela desloca seus sentimentos e emoções advindas do trauma para os objetos e ao furtá-los sente um prazer momentâneo por ter a sensação de que está se vingando da vida, readquirindo o que lhe foi tirado.


Como Winnicott diz (2005, p. 141, citado por Ribeiro, 2016), “a criança que rouba algo não deseja o objeto roubado, e sim a mãe sobre a qual acredita ter direito”.


Ângela S. R. Guimarães reside em Brasília, é psicóloga clínica, neuropsicóloga e especialista em avaliação psicológica, CRP 01/17732. Atende adultos em seu consultório particular e na sua trajetória profissional tem interesse por psicanálise, psicopatologia e suas relações com a neurociência. Para entrar em contato e acompanhar seu trabalho, acesse:  Site: https://www.angelaneuropsi.com/ Instagram:https://www.instagram.com/psicologa.angelaguimaraes/

Telefone: (61) 99807-9496.

Referência:

Ribeiro, O. J. (2016). Cleptomania: quem roubo meu afeto? Revista de Psicanálise, Reverso, v. 38, n. 72, Belo Horizonte.



2 comentários


This psychological television review and character analysis by psychologist Ângela S. R. Guimarães for Psicologia em Séries (Gatunas / Trinkets) highlights the vital intersection of clinical psychology, grief trauma, and adolescent behavioral disorders—themes that find great synergy with pop culture psychology guides, mental health spotlights, and character analysis chronicles, published on https://34.ua. The piece examines the Netflix series Trinkets, focusing on the psychological motivations behind kleptomania in teenagers, using Elodie's character arc—triggered by maternal loss, survivor guilt, and displaced affection—to explore psychoanalytic and developmental theories.

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eminentroof
05 de nov. de 2025

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