After Life (Depois da Vida) - 1ªTemporada

Por Shirley Cardoso, CRP 06/301478

Na sua primeira temporada somos apresentados a Tony, personagem principal vivido pelo próprio autor Ricky Gervais, um viúvo que não consegue elaborar o luto pela perda da esposa (Kerry Godliman), após longo tratamento de um câncer. Tony então torna-se amargo, perde o interesse por tudo, desacredita da beleza da vida e após uma tentativa de suicídio, passa a tratar de forma extremamente grosseira a todos que o rodeiam.


Os personagens coadjuvantes - uma viúva, um dependente químico e uma prostituta - pessoas também com suas histórias de sofrimento, lidam com a revolta em relação a sociedade. E como consequência, se impõem diante da agressividade de Tony. Sendo que, a todo instante somos lembrados de que este sentimento (auto) destrutivo é motivado pela perda recente da esposa, através de vídeos gravados antes dela falecer. De maneira leve e muito divertida e de forma tão brincalhona e irônica quanto Tony, ela com a intimidade que lhe era permitida, pontua todos os defeitos do marido, ensinando-lhe como sobreviver sem ela (detalhe - ele era extremamente dependente dela)


Todo este contexto leva Tony a refletir sobre sua conduta, o que não significa que ele mude seu jeito por isso, nos mostra quão difícil é aceitarmos nossas perdas. E mais, cada um dos personagens sobrevivem a elas, não necessariamente elaborando-as de forma saudável, assim como nós.


Vamos nos dando conta que, todos somos passíveis de resistirmos as perdas, permitindo-nos que elas nos tornem infelizes. Muitas vezes esquecendo-nos do que essa experiência de ter vivido tais fatos que fazem parte da nossa história, nos proporcionaram alegrias, satisfação, crescimento mesmo, mas passaram.


Talvez... pelo nosso sentimento de onipotência, vaidade e orgulho, que nos impede de percebermos que tudo faz parte. Que passamos por "aqui", não estamos "aqui". Que tudo é muito transitório. E, daqui nada levamos, porque não possuímos nada.


Guardamos apenas nossas emoções e sentimentos. E estes, principalmente os bons, devem ser preservados, sendo que aqueles que nos ferem devem ser elaborados de forma que nos façam bem e nos tornem pessoas melhores, sabendo aproveitar cada minuto vivido com intensa paixão. Aproveitando cada experiência para desenvolver nossa imensa capacidade de sentir diferentes emoções. Especialmente nobres. O que nos torna humanos.


Só assim a vida tem sentido!!!

Shirley da Silva Cardoso é Psicóloga Clínica e Hospitalar (CRP 06/40247), psicopedagoga e psicossomaticista, atuando na área há 29 anos. Terapeuta Comportamental Cognitivista, atende crianças, adolescentes e adultos. Diretora da Empresa Ascend Brasil Consultoria em Relações Humanas. Dona de Casa e Mãe... Acompanhe seu trabalho:

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